Eu não comecei criando uma marca.
Eu comecei brincando com retalhos.
Oi, eu sou a Karol, nasci em Tucuruí, interior do Pará. Cidade pequena, rua movimentada de vizinhos que sabiam da vida uns dos outros e eu, no meio disso tudo, organizando “desfiles” improvisados na calçada. A plateia eram os vizinhos. As modelos, as amigas da rua. As roupas? Feitas com retalhos que eu ganhava de uma costureira do bairro.
Não era exatamente técnica. Era instinto.

imagens: arquivos pessoais
legenda: desfile de rua organizado por mim e meus amigos
Eu cresci desenhando croquis nos cadernos da escola, cortando minhas próprias roupas, reinventando o que já existia. A moda nunca foi sobre tendência para mim. Era sobre expressão e identidade. Era o único lugar onde eu me sentia completamente eu.
Mesmo assim, como quase toda sonhadora, tentei entender se aquilo poderia ser profissão ou se deveria continuar sendo só paixão.

imagens: arquivos pessoais
legendacroquis feitos para projetos da faculdade e elementos manuais para estampa
Me formei em moda em 2018. Vivi os bastidores. Fui assistente de backstage no SPFW44, participei de backstages em Maringá, trabalhei com estamparia desenvolvendo desenhos manuais, passei por estúdio de fotografia. Experimentei um pouco de tudo, criação, produção, imagem.

imagens: arquivos pessoais
legenda: (imagem 01) backstage do PFW em Maringa- PR, (imagem 02) aula de costura na faculdade.
Eu estava no mercado. Mas ainda não estava no meu lugar.
Então veio a pandemia.
E com ela, o silêncio.
Silêncio das ruas, dos trabalhos, das certezas. E foi nesse espaço que uma pergunta começou a martelar: se não for agora, quando?
Eu não queria apenas trabalhar com moda. Eu queria criar algo que tivesse propósito. Que fosse coerente com o que eu acreditava. Que respeitasse o tempo, os corpos, os processos.
Foi assim que a AUT começou a existir.
Primeiro como conversa. Depois como sonho compartilhado. A Laís entrou comigo nessa construção inicial, parceira de ideias, de coragem e de muitos perrengues. Desde o início sabíamos o que não abriríamos mão: sustentabilidade e inclusão real de corpos.

imagens: arquivos pessoais
legenda: eu e Lais
Não fazia sentido para mim criar mais uma marca que limitasse quem pode vestir.
Então decidimos romper com a grade tradicional de tamanhos. Criar peças que se ajustassem. Que abraçassem. Que vestissem do P ao XGG sem segmentar, sem excluir, sem padronizar.
Em 2021 lançamos as primeiras coleções. E na nossa primeira sessão de fotos eu senti algo que nunca tinha sentido antes: materialização.
Aquilo não era mais plano. Não era mais rascunho. Era real.

imagens: arquivos pessoais
legenda: (imagem 01 e 02) na primeira sessão de imagens da aut.
Em 2023, a sociedade se encerrou. Caminhos profissionais diferentes, amizade intacta. E a AUT passou a ser totalmente minha. Um pedaço do meu coração fora do corpo. Um espaço onde eu coloco minhas mãos, minhas horas, minhas dúvidas, minhas certezas.
No último ano, senti também a necessidade de estar mais perto. De olhar nos olhos. De ouvir histórias. Comecei a participar de feiras colaborativas, como a feira motirõ ( em breve volto pra contar desse projeto incrivel que participo aqui na cidade) , arte no quintal e etc, aqui na cidade, buscando uma conexão maior com o público e não focando apenas nas vendas online.
Estar presente fisicamente, ver quem veste AUT, ouvir o que sentem ao experimentar uma peça… trouxe um novo significado para tudo.

imagens: arquivos pessoais
legenda:feira motirõ 2025
E então, em 2024, nasceu minha filha.
E com ela nasceu uma versão ainda mais forte de mim.
Desde que ela chegou, sinto que ganhei mais gás para continuar. Mais clareza sobre o que quero construir. A AUT se tornou ainda mais uma extensão de mim para os outros. Por ela, eu quero mostrar o meu melhor lado através da marca, quero que ela cresça vendo coragem, verdade e sensibilidade transformadas em trabalho.
Hoje, cada peça carrega a menina dos retalhos. A estudante cheia de sonhos. A profissional que buscava sentido. A mulher que escolheu fazer com calmae consciênciae. E agora, também carrega o amor de uma mãe que constrói pensando no futuro.

imagens: arquivos pessoais
legenda: (imagem 01) processos de costura, (imagem 02) exposição na loja colaborativa motirõ de final de ano (2025).
A AUT não nasceu de um plano perfeito.
Nasceu de inquietação.
Nasceu de coragem.
Nasceu da decisão de alinhar trabalho e essência.
E esse blog começa agora porque eu quero que você acompanhe mais do que coleções. Quero compartilhar processos, dúvidas, bastidores, aprendizados e tudo que envolve construir uma marca independente e slow fashion no Brasil.
Se você está aqui, talvez também esteja construindo algo.
Ou tentando entender o que faz seu coração acelerar.
Eu te convido, a partir de agora, a conhecer a AUT de perto. A fazer parte dessa história. A caminhar comigo.
Fica.
Essa história está só começando.
Com amor,
Karolina Apolinário.
@aut.oficial
